quinta-feira, 31 de outubro de 2013

V Poema


Poema V - A Paisagem Vilafradense
(Autor: O Mensageiro da Vidigueira)


Na Praça 25 de Abril, brilham as laranjeiras,
Ao centro, o chafariz, e em redor, um convidativo jardim,
Propiciando assim conversas lisonjeiras 
Nesta localidade que acolhe bastante frenesim!


A Noroeste, destaca-se, numa pequena colina, a Ermida de Nossa Sra. de Guadalupe,
Com um altar vivo, caracterizado por algumas pinturas!
Apesar da verdura em seu redor, o templo está inteiramente degradado
E carente de restaurações futuras!


A Sudeste, está sempre a esbelta Ermida de Santo António dos Açores,
Assinalando a sua supremacia estética no cimo dum outeiro,
Não deixando indiferente qualquer viandeiro,
Desejoso de vislumbrar tais momentos acolhedores!


As vinhas embelezam também os olhos humanos,
E conferem mais cor à freguesia!
Famosas desde o tempo dos romanos,
Hoje, estão no epicentro de qualquer romaria!


Vila de Frades é uma terra limpa,
 Digna de receber visitas de altas dignidades,
Desde que estas não comprometam as nossas felicidades,
Pois aqui recebemos todos bem, sempre em nome das demais liberdades!




Imagem nº 1 - A Paisagem Encantadora de Vila de Frades.
Retirada da Página Oficial de Vila de Frades - Capital do Vinho de Talha

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Direcção Regional da Cultura do Alentejo investe na melhoria das condições de atendimento em São Cucufate e na Casa do Arco


O organismo da Cultura investiu um montante considerável nas melhorias das condições de atendimento em ambos os espaços. Nas Ruínas Romanas de São Cucufate, foram vedados, com o recurso a redes, os acessos das aves ao interior do templo beneditino. Substituíram-se aí ainda alguns vidros que estavam danificados, limparam-se os passadiços e resolveram-se casos de infiltração. Na Casa do Arco, assegurou-se a limpeza do telhado e irá proceder-se à substituição da porta principal bem como à remodelação da zona de entrada do Museu.
Obras que são necessárias para criar melhores condições aos inúmeros visitantes que desejam conhecer o Monumento Nacional da Villa Romana de São Cucufate e o seu Núcleo Museológico, ambos sitos na Freguesia de Vila de Frades.




Imagem nº 1 - A villa romana de São Cucufate e o núcleo museológico da Casa do Arco vão sofrer claras melhorias com as intervenções promovidas pela Direcção Regional da Cultura do Alentejo.

A Lenda da Pastorinha e o Pão da Vidigueira

A Lenda da Pastorinha!

Reinando neste reino o Sereníssimo Rei D. Afonso V, em torno da vila de Vidigueira havia uma povoação pequena, em que ainda hoje há dois moradores e se chama ao monte dos Alfaiates; vivia nela um lavrador, por nome Pedro Afonso, casado com Margarida Fernandes, e tinham uma filha chamada Maria, que o seu exercício era guardar o gado. Em uma manhã de muito frio lhe disse a mãe que fosse conduzir para o sítio conveniente, ao que ela não duvidou; mas pediu lhe desse pão para almoçar, e como o não tivesse e estivesse para amassar, a persuadiu se fosse, e quando voltasse lho daria. Obedeceu a filha, e pastorando o gado até chegar àquela várzea, se assentou debaixo de um zambujeiro; mas como a fome a apertasse, se pôs a derramar muitas lágrimas e a repetir soluços entre os quais teve a fortuna de ouvir uma voz, que lhe perguntou porque chorava; ao eco levantou os olhos e viu sobre o zambujeiro uma senhora cercada de luzes celestiais, que lhe tornou a inquirir qual era a causa da sua aflição, ao que satisfez, referindo o que lhe tinha sucedido com a sua mãe.
A Virgem Senhora Nossa, que em sua imagem lhe apareceu e fez aquela pergunta, depois de a ouvir, lhe mandou fosse a casa, porque ela lhe teria cuidado do gado até que voltasse, e que pedisse outra vez pão a sua mãe, e que se ela lhe respondesse ainda não o tinha, lhe dissesse fosse ver a arca, que se o não achasse, ela tornaria para o gado contente sem ele. Foi a venturosa menina para casa, e pedindo pão à mãe, lhe respondeu esta que ainda não o tinha amassado; suplicou a filha com a instância que a Senhora lhe tinha dito, o que ouvindo a mãe, a levou dentro à casa em que estava a arca para a desenganar, como quem tinha certeza de que não havia nela pão; e abrindo-a para que a filha visse era verdade o que lhe dizia, ficou admirada de a ver cheia, quando sabia que nela não havia nenhum, e inquirindo a menina quem lhe dissera que na arca havia pão, lhe referiu o que lhe tinha sucedido; e inferindo do que ouvia contar a filha que naquele sucesso havia prodígio grande, deu logo parte ao marido e aos poucos vizinhos que ali moravam, e todos assentaram que fossem ver quem tinha falado à menina para que lhe disseram os guiasse ao lugar, e chegando a ele, apontando com o dedo, lhes mostrou a Senhora em cima do zambujeiro, dizendo para a mãe, aquela é a Senhora que me disse tínheis pão e que me mandou vo-lo fosse pedir, porque ela entretanto me guardaria o gado.
Todos os que vieram a examinar o que a menina referia tiveram a fortuna de ver a Senhora muito resplandecente, e admirados do prodígio, se prostraram todos por terra, e ficando uns reverenciando aquele prodígio celeste, mandaram outros participar esta noticia à povoação mais próxima, a qual então era muito limitada e agora é a vila da Vidigueira.
No mesmo dia foram ao monte dos Alfaiates a ver o prodígio do pão, e depondo todos os da casa que nela não havia, o tiveram por milagroso, e repartindo parte dele pelos que se acharam presentes, ficou ainda para os que depois vieram, e todos o estimaram como relíquia.


(Excerto retirado do Museu Municipal, Página - o Pão da Vidigueira - Facebook)



Azulejo que recorda o pretenso Milagre.


O pão da Vidigueira é deveras excepcional e saboroso. Feito para alimentar o seu povo e os demais visitantes, assume particular importância na evolução deste Condado dos Gamas e mais tarde, Município.
Associado a este produto, base da alimentação, temos então a lenda da Pastorinha, o que reforça mais a importância em torno do mesmo. A rapariga estava, de facto, rendida ao bom pão que nesta terra se fazia! Mas Nossa Senhora reparou no seu desespero, e veio em seu auxílio, segundo nos narra a lenda.
Como são 15 horas, e já me fazem horas na barriga, vou então provar este delicioso produto da nossa gastronomia. 
Uma boa terça-feira para todos os meus estimados leitores!

domingo, 27 de outubro de 2013

As origens toponímicas de Selmes e Pedrógão (freguesias do Concelho da Vidigueira)

Selmes localiza-se a 8 Km da Vidigueira. É a freguesia com maior extensão no Concelho, albergando ainda Alcaria da Serra. Em 2011, contava com 894 habitantes, segundo o Instituto Nacional de Estatística. A sua história também é merecedora do nosso respeito. 
A villa romana do Monte da Cegonha (remonta ao primeiro quartel do século I d.C., terá sofrido um incêndio e por isso, foi posteriormente reabilitada; no século IV, o seu dono, convertido ao Cristianismo, ordenou a construção duma basílica; entre os séculos X-XII foi ocupada pelos muçulmanos), a ponte antiga do século XVI (apelidada popularmente de romana), a Igreja Matriz de Santa Catarina (século XVIII), as 6 Estações Sacra (séculos XVII-XVIII) utilizadas nas Procissões da Semana Santa, e a sua tradicional produção agrícola assente no trigo, cevada, aveia e centeio, constituem o seu legado histórico.
Esta localidade acolheu a presença de comunidades romanas, islâmicas, medievais, modernas e contemporâneas. Foi durante o domínio muçulmano que terá surgido a designação desta terra. O nome Selmes advém duma corruptela do termo arábe Salem que significa salvo, livre e isento. 
Seria pois uma terra de paz e harmonia em tempos mais recuados.
Por seu turno, Alcaria da Serra deriva do nome do povoado primitivo que era designado de - Herdade de Caria.



Imagem nº 1 - A ponte "romana" de Selmes remonta ao século XVI, no período de transição entre as Épocas Medieval e Moderna.
Foto: SIPA



Por seu turno, Pedrógão é uma freguesia que se localiza na margem do Rio Guadiana, e que contava com 1151 habitantes em 2011 (INE). Alberga ainda a aldeia de Marmelar. 
Em termos de estruturas históricas, detém: 2 dólmens na  Herdade de Corte Serrão (remontam ao período do Eneolítico), o povoado de São Lourenço (Calcolítico), um habitat romano no Monte do Peso, a Igreja Matriz de Pedrógão - São Pedro (século XVII) a Igreja de Santa Brígida de Marmelar (erguida no início do século XVI no reinado de D. Manuel I)
Em suma, as raízes da ocupação humana neste lugar remontam à Pré-História! Talvez a proximidade com o Rio Guadiana tivesse tornado apetecível a fixação destas comunidades tão primitivas.
Sobre as origens toponímicas, não conseguimos ainda encontrar nenhuma posição oficial de qualquer autor em relação a este assunto. Apesar de não possuir dados, posso tentar lançar uma teoria, a qual poderão ou não aceitar.
De acordo com a Infopédia, o termo Pedrógão deriva em si do topónimo latino Petroganum, talvez de origem céltica, com o significado de 'rocha esbranquiçada'. A existência de rochedos, nomeadamente junto ao Guadiana, podem fazer com que esta definição nominal se ajuste à problemática da origem toponímica desta aldeia. Pedrógão possui ainda granito em proporções relevantes!
Sobre a origem do topónimo Marmelar, não vou arriscar, pois não encontrei nada sobre as suas origens que sustentasse uma teoria da minha parte. Contudo, o nome poderá (ou não!) estar, de algum modo, com a presença da Ordem do Hospital (que prestava ora acções de carácter belicista - por exemplo na Cruzada contra os turcos, ou assistencial - apoio aos peregrinos cristãos adoentados). De acordo com uma portaria de 2012 (citada em baixo), a Igreja de Santa Brígida, outrora padroeira do antigo concelho de Marmelar, possui diversos vestígios que apontam para uma construção por parte dos cavaleiros hospitalários portugueses.
Coincidência ou não, um dos mais importantes templos hospitalários construídos em Portugal, chama-se mesmo Igreja Vera Cruz de Marmelar, situa-se no concelho vizinho de Portel, mais concretamente na Freguesia de Vera Cruz (este povoado antigamente se chamava Marmelar), foi fundada em 1268 com o patrocínio de João de Aboim e foi entregue a Afonso Peres Farinha (cavaleiro e prior prestigiado da Ordem do Hospital, tendo estado supostamente a combater pela fé cristã  na Terra Santa, onde terá trazido a relíquia de Vera Cruz para o templo em questão).
Por isso, o nome de Marmelar parece-me associado a esta Ordem Militar que obviamente chegou a deter poder e territórios, ergueu castelos e templos notáveis, e manteve uma considerável influência nos assuntos do reino português!




Imagem nº 2 - Estas rochas podem estar na origem do nome de Pedrógão que desde sempre gerou condições propícias para a instalação de comunidades primitivas.



Referências: http://terrasdeportugal.wikidot.com/selmes, (27-10-2013), http://eb1-selmes.edu.pt/terra.htm, (27-10-2013), http://www.cm-vidigueira.pt/descobrir/rpatrimonio, (27-10-2013), www.monumentos.pt, (27-10-2013), www.igespar.pt (27-10-2013); Pedrógão In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consultado em 2013-10-27]. Definição disponível em: www: <URL: http://www.infopedia.pt/toponimia/Pedr%C3%B3g%C3%A3o>; http://digestoconvidados.dre.pt/digesto//pdf/LEX/213/306037.PDF, (27-10-2013);http://digitarq.adevr.dgarq.gov.pt/details?id=996698, (27-10-2013).

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A origem toponímica da Vidigueira


A palavra Vidigueira deriva, aliás, da palavra latina vidigeria ou videira, o que explica a forte relação que esta terra tem, desde a Antiguidade, com a cultura da vinha.




Tal como no caso de Vila de Frades, não nos é difícil determinar a origem toponímica da Vidigueira. De facto, o nome também não deixa margem para quaisquer dúvidas. A antiga vila dos Gamas desde sempre teve uma relação estreita com a cultura da vinha, aproveitando assim as potencialidades específicas do clima e solo para os seus terrenos férteis.
A fama, pois, não é de agora. 
Eu já provei e gostei do vinho da Vidigueira. É um dos melhores a nível nacional. O prestígio é atestado pelas inúmeras vendas registadas pelas nossas ilustres adegas.
Será que  até o próprio Vasco da Gama e demais Condes da Vidigueira não se renderam ao vinho desta região? 
A Vidigueira é ainda a Cidade Portuguesa do Vinho de 2013, enquanto a Freguesia de Vila de Frades ostenta o estatuto de Capital do Vinho da Talha!
Por isso, se visitar esta região, até parece pecado não provar esta delícia da nossa gastronomia, mas também é bom que não exagere, porque eles andam por aí!!!




Imagem nº 1 - A Vidigueira é actualmente a Cidade do Vinho. Venham visitá-la e atestar as qualidades gastronómicas desta terra alentejana!




Imagem nº 2 - Há-que saborear, sem cair em excessos, uma boa garrafa de vinho da Vila dos Gamas.


Nota - Nos próximos dias 9 e 10 de Novembro, teremos os dias europeus do Enoturismo - Vidigueira. No Sábado (dia 9) teremos um Workshop de iniciação à prova de vinhos na Sociedade Recreativa de Vila de Frades. No dia 10, a partir das 15 horas, teremos conversas em torno do Vinho e uma visita às estruturas agrícolas no Sítio Arqueológico de São Cucufate (Vila de Frades). Por isso, contamos com a sua presença!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A origem toponímica de Vila de Frades

Neste texto, procuraremos conhecer a origem do nome da freguesia de Vila de Frades. Felizmente, não é um caso tremendamente difícil de abordar, pois a designação está directamente relacionada com a sua rica história.
Na Idade Média, a localidade teve senhores eclesiásticos que dirigiram as questões inerentes à organização e povoamento deste território. Foram eles que exploraram as potencialidades deste lugar!
Hoje, debate-se se o início desse domínio clerical já remontaria ao período visigótico, mais concretamente ao século VI, onde alegadamente existiria um prior que se proclamava como o abade dos abades, em jeito de afirmação do seu poder e influência. Todavia, não há provas seguras que confirmem a existência anterior dum templo na Alta Idade Média em São Cucufate, mas apenas suspeitas!
O que é certo é que, em meados do século XIII, mais concretamente em 1255, o Mosteiro de São Vicente de Fora (Lisboa), na sequência duma doação do rei D. Afonso III em parceria com a Diocese de Évora, instala um novo espaço de culto em São Cucufate, mais concretamente numa parte específica da antiga vila romana que estaria talvez abandonada naquela data. Os frades que aí iniciam a sua devoção religiosa, são os primeiros senhores da terra, e outorgam mesmo o primeiro foral à vila, embora este documento se tenha perdido com o avanço dos tempos. Não nos podemos esquecer que o Clero, tal como a Nobreza, era uma classe privilegiada e conhecia consequentemente um poder bastante considerável nestes tempos mais recuados. 
Para além destes frades que criaram um Mosteiro Beneditino dedicado a São Cucufate (mártir sacrificado pelos romanos na Catalunha), é necessário referir que, a partir de 1545, é construído, na vila, o Convento de Nossa Senhora da Assunção por Francisco da Gama, filho primogénito de Vasco da Gama e 2º Conde da Vidigueira. Os frades capuchos também professariam assim nesta localidade. 
Em suma, há uma tradição religiosa bastante forte em Vila de Frades, isto já para não falar dos maravilhosos templos religiosos que contêm uma história relevante (Capela-Ermida de Santo António dos Açores, Capela de São Brás, Igreja Matriz de Vila de Frades, Igreja da Misericórdia, Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe...).
Os frades foram os primeiros senhores que promoveram uma evolução demográfica e económica contínua nesta vila. Por isso, a origem toponímica desta localidade não nos oferece grandes dúvidas.




Imagem nº 1 - Vila de Frades tem uma tradição religiosa bastante importante.


Descrição do Brasão:

Escudo de prata, com uma videira de verde, arrancada e folhada do mesmo e frutada de púrpura; em ponto de honra o emblema antigo dos beneditinos, de vermelho; em chefe três laranjas de sua cor, folhadas de verde e nos flancos duas espigas de trigo, com os pés passados em aspa, em campanha. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas. 
Leia-se Heraldry of the World - ver link em cima




Imagem nº 2 - Os frades promoveram o crescimento económico, demográfico e religioso da localidade. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Vídeos para a História da XV Concentração Motard na Vidigueira

Os vídeos que se seguem são da autoria de Tiago Reis e estão presentes no Youtube, merecendo a visualização de mais de 2 000 pessoas (isto no somatório de ambas as gravações retratadas). Tais trechos estão disponíveis desde o dia 1 de Setembro, isto é, foram colocados há cerca de 1 mês e meio atrás. 
Conforme referi, este evento trouxe mais pessoas e visibilidade à Vidigueira, que tem também fama no Sector Motard.
Também eu gostaria de ter uma moto para comandar, mas como sou um pouco tosco a conduzir, aconselharam-me a não tirar essa habilitação.
De qualquer das formas, milhares de pessoas compareceram nos dias inerentes a este evento (isto é, finais de Agosto).
Os vídeos espelham o sucesso indiscutível.



Vídeo nº 1 - As piscinas municipais encheram-se de gentes!
Retirado do Youtube, autoria Tiago Reis


Por fim, deixem-me destacar os desfiles das tochas no dia 31 de Agosto, acto gravado pelo mesmo autor:



Vídeo nº 2 - O desfile das Tochas na Vidigueira.
Retirado do Youtube, autoria de Tiago Reis